Cotidiano Esquisitices

Um conto de procrastinação

Eu juro que não faço de caso pensado, mas sou uma procrastinadora, confesso.

Quem me vê por aí, teoricamente conseguindo levar meus projetos adiante, não imagina o quanto eu sofro antes de começá-los de fato. Já li tudo quanto é reportagem e tudo quanto é artigo sobre a tal da procrastinação e como fazer para contornar esse mal, mas nada funciona tão bem quanto o medo do perigo e a deadline. Não que eu me orgulhe disso, claro. É até estranho eu ser tão procrastinadora se levar em consideração que, sim, começo minhas tarefas antes de chegar o pavoroso prazo final, mas em algum lugar no meio do caminho eu me perco e passo horas assistindo vídeos de lettering no YouTube enquanto o projeto segue lá, abandonado.

Acho que faço isso quando as ideias secam. Já li por aí, nessa minha busca incessante por uma solução para o meu dilema, que pessoas perfeccionistas geralmente são, também, procrastinadoras. Na cabeça dessas pessoas (no caso, sou uma dessas pessoas) não adianta começar a tarefa se você não tem a certeza absoluta de que tudo ficará perfeito no final. No último trabalho que peguei por conta própria (sou arquiteta), a primeira coisa que fiz, depois da visita ao cliente e de saber todas as maluquices que ele queria (sofro), foi chegar em casa, arrumar meu planner e listar tudo o que eu deveria fazer. Estudei o projeto, procurei referências, tudo bonitinho. Aí quando abri o programa para projetar, parei.

Fui pro YouTube, abri a Netflix, escrevi textão pro Valkirias, pro blog, fiz um bolo, saí pra passear com a Lexa. Quase escalei o Everest e plantei umas árvores, mas aí já havia anoitecido. Fiz um bilhão de coisas, mas no fim, não fiz o que mais importava que era o projeto do cliente. Aí começo a me sentir culpada, me obrigo a começar, mas a coisa não flui, não anda. Quero chorar, quero morrer, amaldiçoo o dia em que entrei na faculdade, como todos os chocolates disponíveis em um raio de 10 metros e vou dormir, frustrada. Somente para fazer tudo de novo no dia seguinte.

Não sei como as pessoas normais funcionam mas, como deu pra notar, eu sofro com essa procrastinação. Não gosto da ideia de atrasar a entrega do projeto (o que nunca acontece, mas só sei disso quando termino) e não sei se o fato de trabalhar com criatividade tem alguma relação com isso, mas dá vontade de jogar tudo pro alto, vender as roupas e os livros todos, colocar Lexa debaixo do braço e ir viver numa casinha no meio do nada (mas com wi-fi). Já li pessoas bastante gabaritadas dizendo que essa história de só conseguir trabalhar quando a inspiração vem é pura maluquice, mas eu não consigo me forçar a fazer isso.

Se não estou me sentindo plena, é impossível sentar pra projetar um lavabo que seja. Ou escrever. No mestrado eu sofri um bocado com isso porque nem sempre estava com ânimo para escrever, mas naqueles anos eu me obrigava e escrevia, mesmo que odiasse tudo ao final. E eu tento sentar e fazer de uma vez, para me livrar logo de qualquer que seja o problema em questão, mas a coisa nem sempre funciona como eu quero. Será que existe um método eficaz para mandar a procrastinação pro espaço? Sei que fazer listas me ajuda um bocado com tarefas mais práticas, mas quando o assunto envolve inspiração e criatividade, socorro. E eu tento, juro que tento, mas nem sempre consigo e, quando dou por mim, estou lá, há 3 horas jogando The Sims.

Oh well, I tried…

Uma foto publicada por C. Cassandra (@cassandracalin) em

Resumo da minha vida, risos.

BEDA

2016-08-23-2
Cotidiano

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2016-08-22
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