devaneios monstruosos

O mundo está girando rapidamente, e me sinto parada em relação aos acontecimentos, digo, parece que nada andou, mas quando para e olho o calendário, vejo que não é mais 1 janeiro de 2007, ano em que entrei na faculdade, mas sim, agosto de 2010, quase setembro já, e a cada dia mais próximo da entrega do projeto de conclusão de curso, que ao meu ver, parece que nunca irá terminar, e que a cada passo que damos para a frente, parece que foram 2 para atrás.
Claro, sei que isso é a coisa mais normal, e que é só nossa percepção doida entrando em ação, mas realmente, parece que tudo vai acabar e no final, a sensação é de que eu apenas pisquei.
Talvez eu ache isso, por não fazer idéia do que sou, e muito menos do que quero. E não disso “o que sou” como se não soubesse coisas simples, como quem são meus pais, que sou humana e mulher, mas o que sou num sentido mais profundo, como, não ter até hoje, formado uma personalidade que me defina, que todos que eu conheço podem falar, isso é a Mari. Claro, existem muitas coisas que são a minha cara, mas nada que me faça ter orgulho de dizer: não, isso sou eu. Afinal, não fiz nada que pudesse me tornar única, sou apenas mais uma na multidão, não chamo a atenção por algo que se destaque em mim, mas me misturo com ela e mesmo assim não sinto que ali é meu lugar, como também me sinto excluída do chamado “mundo real”, é estranho dizer isso, mas tenho a sensação de que talvez esteja no lugar errado, fazendo tudo errado e que se tivesse em outro tempo e em outro lugar, poderia me encontrar facilmente, mas aqui, nesse tempo, pareço à mim mesma uma completa estranha.
Indecisa e crítica, atualmente são as palavras que mais combinam comigo, não que eu me orgulhe de ambas as palavras, mas sinceramente, a resposta que consigo dar com mais freqüência é apenas um “não sei” e um “tanto faz”, pois parece que esqueci como é dizer o que penso para aqueles que amo, talvez com medo de ser muito crítica, como costumo ser, ou talvez por indiferença, ou ainda quem sabe, porque eu realmente não faço idéia do que estou fazendo aqui.
Quando criança, parecia que eu me encaixava, tanto em casa, quanto com meus amigos, eu era uma líder, aprendi a ceder, a mandar, a conquistar, a fazê-las concordarem com minhas idéias, e principalmente, fazer com que se sentissem parte de algo, e com isso, fossem felizes. Mas no meio do caminho desaprendi essa arte, e passei a ser apenas segundo plano para a maioria das pessoas que me seguiam, sobrando apenas uns poucos que com o tempo passaram a seguir outras pessoas.
Nunca entendi como isso aconteceu, mas aconteceu, passei de garota popular e super adorada por todos a minha volta, para alguém de nível mais insignificante que uma barata! Não que não tenha feito amigos e sido feliz, mas faltava alguma coisa, alias, ainda falta, não sou mais líder em nada, nem mesmo no futebol, em que me considero suficientemente habilidosa, ouso ser líder, afinal, quem quer um líder que só consegue dizer, não sei, talvez e palavras de crítica e irônicas?! Não sei se me tornei assim para me proteger dos outros que se voltaram contra mim, se foi convivência com pessoas quase tão insignificantes quanto eu, ou se não há explicação.
Quando menor, acreditava que as coisas haviam acontecido, porque quando eu fosse mais velha, seria capaz de dar a volta por cima, como as heroínas da TV, mas eu fiquei mais velha e não dá para continuar acreditando que um dia, uma gata falante vai bater a minha porta! E assim, eu vou encontrar algo mais forte do que eu mesma, que vou encontrar dessa forma meu destino, como uma heroína atrapalhada, que mesmo sendo indefesa como humana, quando alguém precisa de ajuda, ela sempre aparecerá para ajudar, mesmo que seja alguém que um dia a fez mal. Infelizmente, sei que não é esse meu destino, até porque, sou rancorosa o bastante para deixar de ajudar aqueles que um dia me fizeram mal, não que eu queira matá-los ou deseje mal a eles, mas se não forem muito próximos, não vejo porque ajudá-los, afinal, o que eles fizeram por mim? Talvez isso me torne egoísta, mas anos de magoa tornam qualquer um egoísta.
Claro, não é tudo tão ruim quanto parece, afinal, encontrei uma forma de extravasar, não uma, alias, várias. Dediquei meu tempo livre ao futebol e com ele aprendi a dividir, tanto as derrotas, como as vitórias, as chances e a pressão, mas a não ser no campo ou em quadra, não me sentia próxima as pessoas que ali estavam, e só me sentia incluída durante os treinos e jogos, fora das quadras, eu voltava a ser apenas mais uma entre muitos. Quando não estava jogando, ficava em casa, com meu computador.
Aprendi a interagir na rede, comecei com fóruns e blogs, pois na época acho que nem existiam redes sociais. Desenvolvi habilidades, que não considero nem um pouco boas, se comparadas as dos blogueiros e das blogueiras em quem me inspiro, mas mesmo assim, são o suficiente para manter minha mente ocupada e entretida em um mundo completamente louco, onde as palavras tornam-se as pessoas, e não existe certeza absoluta se é isso que quem escreveu é ou pensa. Esse mundo abriu para mim uma possibilidade, uma chance de tentar ser aquela menina, líder, alegre e encantadora que tinha muitos ao seus pés, pude criar uma pessoa que não era o “eu” que não sabe nada, mas o “eu” que tinha desaparecido, cresci nesse meio, fiquei conhecida, não tanto por meu blog, mas por minhas participações em fóruns e sites que fiz e ainda faço parte.
Mas é engraçado como as coisas acontecem, há algum tempo, venho percebendo que não tenho mais como subir, como ir mais longe nos lugares em que estou, porque se eu o fizesse, faria a mesma coisa que outros fizeram comigo, e me sinto idiota, não por não querer ir mais longe, mas por não conseguir me igualar à aqueles que são mais fortes que eu. Por mais que eu me esforce, sempre aparece alguém melhor, e que com menos tempo e esforço, ocupará meu lugar com facilidade.
Talvez eu devesse aceitar o fato de que não nasci para uma vida de recompensas e brilho, mas acho que era mais fácil desistir se eu nunca tivesse experimentado ser o centro das atenções algumas vezes. Não digo que quero ser o centro das atenções o tempo todo, de jeito nenhum, mas queria que ser reconhecida de vez em quando e mais importante, me sentisse parte de algo maior e mais importante do que eu ou você.
E quando paro para pensar sobre isso, me lembro que não faço idéia do que me aguarda o futuro e que isso parece pior do que ser deixada de lado e perder as qualidades que achava que tinha. Isso me mostra que apesar de ser possível deixar as coisas melhores, também significa que elas ainda podem piorar.
Hoje sei que meu centro, e provavelmente uma das únicas coisas que me mantém em pé, são alguns poucos amigos com quem já não falo muito, e meu namorado, que deus sabe, não sei o que viu em mim. E sei, que logo, esses amigos estarão ainda mais longe, seguindo suas vidas, e que se eu não decidir logo o que quero, vou perder tudo. E isso simplesmente me impede de tomar qualquer atitude, porque não quero que as únicas coisas que me mantém em pé, mudem.
Pensando nisso, acho que na verdade, talvez não tenha perdido a capacidade de fazer amigos e liderá-los, mas talvez tenha perdido algo mais importante, minha coragem.

E apesar desse post ter ficado gigantesco, quem sabe eu não posso escrever um livro de alto ajuda né?! *sarcastica* Fim do capítulo 1 gente! “O sofrimento” hehehe talvez vendesse bem não?!







Escolhas e destino

Ela teve um sonho estranho, nele, ela dormia e sonhava, todas as noites com o mesmo sonho… foram várias noites em uma só, com um sonho continuo, noite após noite, sem perceber que esse sonho se completava até a hora que acordou realmente. No começo, os ramos de amor e família começaram a crescer, deixando o lado profissional de lado. Ela não se preocupava, pois sabia que um dia encontraria algo. Pouco depois, tudo caminhava bem, mas havia coisas que ela desejava fazer, lugares que gostaria de conhecer, pessoas com quem gostaria de se relacionar. Seguia-se um desejo de coisas novas, emocionantes, mas atrás um medo, sabia que era impossível manter duas cosias completamente diferentes juntas. Uma o desejo de se assentar, de amar e se sentir segura. E outra, o desejo do desconhecido, do novo e as aventuras e histórias que teria para contar. No sonho ficava cada vez mais claro que esses seriam dois caminhos opostos, e cada dia que passava, o sonho com seu futuro a deixava encurralada. Terminando pouco antes de acordar, com uma trilha e dois caminhos. Um deles levava a segurança e ao amor que ela lutou para conquistar, o outro, para o desconhecido, para novas emoções que ela outrora havia desejado com todas suas forças.
Ao acordar um aperto no coração, sabia que era possível tentar ter os dois, afinal, um desses caminhos ela já havia trilhado, e o outro a chamava em seus mais intimo. Mas era arriscado, sabia que se optasse pelo desconhecido, iria mudar muito, talvez fizesse com que crescesse, talvez desenvolvesse um desejo pelo lado profissional, talvez se tornasse mais confiante, talvez provasse a si mesma que seus medos eram infantis e que nada iria fazer mudar aquilo que ela passou a amar mais que a própria vida. Talvez fosse idiota em pensar que pudesse mudar a ponto de destruir tudo que havia conquistado, ou que passasse a gostar menos ou até a deixar de amar o que construiu até agora.
Ela precisa decidir o quanto vale seu presente e o que pretende para seu futuro, pois seu tempo está acabando, e logo tudo não passará de “e se” que transformarão tudo em sonhos deixados de lado. Precisa decidir antes que seja tarde e o destino, se existir, tome essa decisão por ela.

Terminado esse pequeno conto, o que acharam?! E mudando de assunto… Feliz dia dos pais gente!







E lá se foram as férias…

Talvez eu esteja sofrendo por antecipação, mas restando mais 4 dias de férias, acho que posso dizer que elas já se foram, e digo já, pois até onde me lembro, parece-me que ontem foi dia 8, e que o Dan entrara na sala de cirurgia, e meu irmão dava PT no carro. Que alias, deixe-me informar, foi um PT bonito, ele conseguiu estourar os 2 eixos, e o seguro e a concessionária consideraram como PT. Mas voltando as minhas rápidas férias em que eu não realizei nenhum grande feito, pois não consegui comprimir minha meta de tradução, não fiz ao menos uma viagenzinha que fosse, praticamente não sai e nem ao menos pude dormir até tarde, o que me faz pensar que talvez essas férias não devessem ser consideradas férias, dito isso, resumimos minha ausencia de férias e o retorno das aulas como algo que não me agrada mas que se as coisas continuarem nesse ritimo, bom, podem ir pensando no meu presente de natal, afinal, fui uma boa menina! Cuidei do meu namorado, ajudei meu irmão, trabalhei direitinho, claro que se me derem a oportunidade de ser madame eu não vou recusá-la! Então, trabalhada Danilo! que eu quero ser madame!!!

Mas deixando meu desejo infantil de lado, essa última semana li a Sacerdotiza de Avalon, de Marion Z Bradley, e adimito ter demorado a ler, pois estava ocupada secando minhas lágrimas entre uma linha e outra desde que a segunda parte do livro começou. Não sei se muitos de vocês já leram, mas eu apesar de chorar de deixar o Dan desesperado ao telefone, simplesmente amei o livro, e posso dizer com sinceridade que não teria 1/3 da força que Helena ou Eilan como preferirem, teve durante toda sua vida. Me sinto mal ao pensar que provavelmente não seria capaz de fazer 1% do que ela foi capaz de realizar, e apesar de chorar todas as vezes em que o nome Constantinus era pronunciado e depois todas as vezes que o nome Chrispus (não me lembro como escreve), Crispa, Aelia, Diedra, Hilas Eldri e até mesmo Helena e Eilan, ao terminar o livro, me senti mais forte e um pouco menos ridicularizada ao pensar em meu futuro e o que desejo dele, e apesar de não chegar a nenhuma conclusão sobre o que desejo ou não, sei que preciso ser forte, e que provavelmente na hora em que tiver que tomar uma decisão conseguirei fazer uma escolha e mesmo que essa escolha seja completamente errada se eu realmente quiser seguir adiante com minha decisão, precisarei ser forte para conseguir chegar até o fim ou até o próximo desvio, onde posso retornar ao meu erro e seguir por outro caminho, levando comigo só aquilo que me deixou mais forte e me preparando para coisas talvez piores.
Talvez o fato de eu saber que não estou completamente sozinha torne as coisas mais dificeis, mas talvez em alguns momentos as torne mais faceis, e mesmo que eu fique sozinha sei que tenho que ser forte para me levantar e recomeçar.

Talvez eu tenha entendido tudo de forma errada. Talvez o que eu ache tão triste alguns vejam somente como uma escolha, e superariam com facilidade, mas sei que o caminho que ela escolheu, provavelmente teria me destruido, e meus olhos se enchem de lágrimas de tristeza e alegria ao conseguir admitir que sou tão fraca. Me sinto humilhada mas ao mesmo tempo, me sinto bem, em conseguir dizer algo que estava preso a tanto tempo, talvez agora, eu consiga me tornar mais forte e quem sabe agora eu consiga achar o meu caminho, para que se um dia, tiver que enfrentar uma escolha como essa, eu possa ao menos lutar em igualdade.

Pensando assim, quem sabe minhas férias não foram totalmente inuteis não? Preciso convencer o Dan a ler esse post, talvez assim ele entenda, porque pra mim é tão importante me aventurar nos sentimentos das personagens e nas suas lutas, por mais triste e dificeis que elas forem.

E agora, um novo semestre começa, e com ele o final de mais um ciclo na minha vida. Será que eu vou conseguir terminá-lo sem ficar com cabelos brancos e arrepiados de stress? TCC lá vou eu!

OBS: Thay! parabéns menina!!! tudo de mega bom e melhor pra você!!! tudo que todo mundo já desejou hoje em dobro! hehehe luv ya! e obrigada por tudo sempre!!