Liberte-se

Último ano do colégio, chegada a hora da libertação! fim da vida na prisão cervantina, e aqui fica cravado o final de uma vida, e começo de outra.

 

Discurso da formatura – 3º Col – 2006

Boa noite, meus queridos!
Hoje estamos aqui por 3 motivos: 1º pegar nossos diplomas, 2º agradecer a todos que no meio do caminho estiveram ao nosso lado e 3º mas não menos importante: dizer adeus…

Como nossos diplomas vêm só depois do discurso, vamos começar agradecendo aos nossos pais pelo carinho, apoio, ajuda, paitrocínio e por agüentar todas as besteiras que fazemos. Agradecer a todos os professores que tivemos em nossas vidas… Até mesmo os particulares! A direção, a apm e a nós, cervantinos, que também batalhamos pra chegar até aqui.

Até quem não passou mais de 2 anos no colégio, pode ser classificado facilmente como um cervantino: o cervantino chama recreio de “parque” mesmo sendo bem grandinho, nunca chamaria uma professora de “tia”, sabe exatamente o que um “cluster” é e para que servem as vias verdes e porque elas são tão legais. Ele é fluente em portuñol como ninguém e zoa argentinos carinhosamente. Sabe exatamente como levar professores espanhóis à loucura – figurativa e literalmente –, entende broncas em pelo menos 3 línguas e consegue calcular média com letras. Para ele, I, S, B, D e N são mais do que apenas letras. Em nenhum outro colégio, os alunos sabem os nomes de tantas mães.
O cervantino já comeu de bandejão e sabe de cor o hino sem letra da Espanha. Se tiver cursado a 7ª série no colégio, já assistiu “O Gladiador” pelo menos 3 vezes, e as assustadoras aulas da Marisa. Ninguém, ninguém celebrou a saída do
colégio tantas vezes e de tantos jeitos diferentes. E mesmo se não tiver lido o “Dom Quixote”, o cervantino se sente completamente à vontade com a intimidade de chamar Miguel de Cervantes pelo primeiro nome.

Nós vivemos os melhores anos do colégio: nosso parque no infantil só tinha um trem de cimento e um balanço de pneu, mas guardamos apenas boas lembranças disso e agora, olhando para o novo e remasterizado parquinho, nos perguntamos como podíamos nos divertir com tão pouco e sentimos um orgulho nostálgico disso. Nós tivemos também a sorte de aproveitar os últimos anos do Kaburé, e quem foi sabe que lá eles fizeram algum tipo de lavagem cerebral com a gente já que todos lembram até hoje pelo menos o refrão. Fomos pro parque dos grandes na primeira série achando que era o paraíso, pro Peraltas, pro NR, pras cavernas e pro Rep Lago. Tivemos campo de areia, olimpíadas durante a semana de síntese, o gira-gira, os bolos da Inês e a cantina do Benito que sempre dava troco errado. Na oitava série começou o
batuque e entrou muita gente nova… Nossa viagem à Espanha foi a última ao estilo turístico, com certeza a melhor das nossas vidas e uniu muita gente.

Aí a gente cresceu, começou o colegial achando que era tudo festa, querendo quebrar tudo, zuar tudo… e estudar? É… hmm… então felizmente conhecemos a suficiência. Teve Minas, onde o Cazé conseguiu entrar no bueiro. Nós estreamos a viagem ao Canadá, a Guerra de Tinta, as salas com 4 ventiladores, o fim das caselas, a semana de provas, o ensino muito mais focado pro vestibular… coisas boas e coisas não-tão-boas. E mesmo não sentindo nem o cheiro das lousas digitais e dos computadores nas salas, como sabem, a gente se diverte com pouco.

São dessas peculiaridades que nós vamos sentir falta e talvez contar para os nossos filhos se eles não chegarem a
conhecê-las. Talvez muitos de nós venham a se separar, talvez alguns continuem “amigos para siempre”, mas não é por isso que nós choramos quando pensamos que, finalmente, acabou. Por mais que ninguém admita, choramos porque não vamos mais voltar ao lugar que nos fez Cervantinos, mais do que alunos de um colégio bilíngüe de São Paulo. Disso, também, sentiu falta quem saiu no meio do caminho.

Daqui para frente tudo vai ser diferente e igual. Diferente porque nossa infância oficialmente acabou e seja lá o que
formos fazer, não será o mesmo que fizemos até agora, e igual porque todo aluno já passou ou vai passar por isso um dia, o que nos dá um sentimento reconfortante de que tudo vai ficar bem e de que os índices de aprovação na FUVEST não são a coisa mais importante do mundo.

Até mais, cervantinos. Pratiquem o espanhol sem se esquecer de que não existe “hacer con que”, permaneçam nos seus respectivos inferninhos ou “a la esquinita”, duvidem das motivações dos EUA, tenham dúvidas
concretas
, não se esqueçam que o nome já diz: VÍ-RUS, (vou esperar o silêncio), façam todos os exeRcícios e lembrem-se de que vocês podem fabricar lança-perfume em casa… Não esqueçam de sempre obedecerem os nossos mais queridos bedéis: Nedes, Benoni e Daniel. JESUS! Como vamos sentir saudades desses bons tempos que passamos juntos… Boa sorte pra todos e UM ABRAÇO, seus cheira-cola! Parabéns e obrigado!

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