Para o mundo que ta todo mundo louco!

Sou só eu, ou o Brasil realmente ficou louco? Não digo nem pela guerra de ódio entre esquerda e direita, entre héteros e homos, entre homens e mulheres, ricos e pobres apesar de que tudo isso pra mim já indica que tem algo muito errado com nosso país, e não é só a educação, saúde e segurança.

Sou consumidora desde que aprendi a falar minhas primeiras palavras “Ô qué” que para a baby mari, significa: Eu quero, bom, desde ai não parei mais, sempre fui consumista, talvez não como nos filmes onde a riquinha tem o guarda-roupa milionário dos sonhos que não sabe nem o que tem no fundo dele, mas sim, sempre fui uma compradora nata, e me considero razoavelmente boa nisso. Particularmente adoro comprar roupas, e de vez em quando, me atiro dentro do mundo das lingeries. Não é por nada não, mas o brasil produz as mais bonitas que já vi, as que ficam melhores no corpo e são mais confortáveis.

Como já disse antes, temos absolutamente tudo para ser país de primeiro mundo, e inclusive no quesito comércio de moda, modéstia aparte, temos muito bom gosto (salva raras exceções normalmente encontradas vagando pela cidade), mas como pode, no país da pobreza, onde o costureiro deve ganhar um misero salário mínimo, o produtor do tecido uma reles cesta básica, como pode uma calcinha custar absurdos R$ 50,00 reais?!

O Mundo só pode estar louco!! 50 reais,  uma calcinha! Tudo bem, é bonitinha, é de renda, fofinha, mas meu deus, não estamos falando de uma calcinha feita a mão, super trabalhada que vai durar 30 anos e ser exposta em um museu! Estamos falando de uma roupa intima, que fica embaixo da roupa normal! Confeccionada aos milhares por um custo que como muito chegaria a 20 reais!

Sério! Me recuso a pagar pouco menos que um almoço em uma peça que nem vou mostrar por ai! Depois, brasileiro vai para o exterior, comprar a mesma maldita peça em doletas, chegando a pagar metade do preço (e isso com o dólar ao absurdo que tá) e ai vem o governo querer que o brasileiro consuma mais internamente, querer dificultar a entrada de produtos estrangeiros, pra “valorizar” a produção nacional! Sendo que o coitado que produziu o algodão pagou pra produzir o algodão, pagou o imposto pela produção. O Comprador do algodão pagou o imposto do algodão, e o imposto da produção de tecido! Fazendo o logista, pagar o imposto do algodão, o imposto do tecido ainda o imposto da compra do produto. Ai vem o consumidor, euzinha, idiota aqui! tendo que pagar em um produto, o imposto do imposto, do imposto do imposto! MEU DEUS! isso sem falar que o nosso salário já é descontado um imposto absurdo! e ainda pagamos impostos abusivos todos os anos!

Me irrita, saber que tudo que tenho tem um imposto absurdo, além do maldito imposto que tenho que pagar todo ano! Como pode um país que cobra tanto do cidadão, não dar o mínimo de segurança, o mínimo de educação e o mínimo de saúde pra  sua população. Como podemos ser obrigados em um pais que tem tudo, vivermos como se não tivéssemos absolutamente nada.

Como pode um governo ficar debatendo questões ridículas do tipo, se a mulher pode ou não abortar,  enquanto as pessoas morrem com surtos de dengue, porque isso não é prioridade no país. Não que aborto não seja importante, mas eu não diria que é uma prioridade, mas a palavra prioridade parece ter um sentido totalmente perdido no nosso governo. Onde é prioridade, discutirmos se os transexuais, devem usar banheiro de homem ou mulher, sendo que tem gente morrendo de fome e sede em diversos lugares do país. Onde a cota para negros, deve ser tratada como prioridade, sendo que as crianças pobres saem da escola sem saber ler e nem escrever! Ah mas são questões de extrema importância, sim, não discuto que cotas devem ser discutidas, que questões de gênero tem que ser debatidas, elas tem que ser, mas não antes de resolvermos assuntos de extrema urgência, que deveriam ter sido resolvidos há sei lá,  uns 500 anos! Um país de igualdade e possibilidade para todos, um tudo pelo social, onde quem precisa realmente não tem, e quem tiver sorte é, teve sorte.

Eu não tenho hoje o menor orgulho de ser brasileira, tenho orgulho da terra maravilhosa que vivemos, que de tudo nos fornece, mas tenho vergonha do povo que nela vive, e me incluo quando digo povo, por já ter perdido as esperanças de ver nessa vida um país no qual eu levante e diga: eu amo viver aqui.

Um país de todos, é o que dizem, mas onde a educação é tratada como escolha de poucos, a saúde como sorte de alguns e a segurança eu nem comento mais.

 

2 respostas a “indignada, envergonhada e cansada.”

  1. Imposto no nosso país é mais um item na lista sem fim de maneiras como nosso governo nos rouba diariamente. Outro dia, no supermercado, resolvi conferir a notinha no final, pra ver quanto tinha de imposto, e quase caí de susto: com o valor do imposto seria possível fazer outra compra! Metade do valor era imposto, é chocante, é desconcertante, é ridículo. Se ao menos esses impostos fossem revertidos em algum tipo de benefício para nosso sociedade, mas sabemos bem onde todo esse dinheiro vai parar – nos bolsos já gordos de nossos governantes. Eu amo meu país, amo as belezas naturais, amo o céu, e até o sol, mas não dá mais pra viver desse jeito. Me entristece ver um lugar com tanto potencial se afundando dessa forma. =X

  2. Eu não sei se digo que uma coisa é mais importante do que a outra, porque quando falamos de aborto e cotas, a questão envolve outras maiores, como a violência contra a mulher, o machismo, o racismo e o preconceito, que são problemas tão graves quando a falta de saúde, na minha opinião. Mas que o Brasil é país de ninguém já é um fato. Eu não sei se me orgulho do povo, do pais ou de qualquer coisa, mas eu não confio mais em política e acho esses discursos todos muito ‘da boca pra fora’. Acho que o nosso país tá errado desde o começo, e só serve pra ser explorado. Quem sofre é sempre o povo, não é? :/ E quando rola alguma movimentação pra tentar mudar esse cenário, vem meia dúzia de vândalos e mancham a coisa toda, e aí o próprio povo desacredita da sua força, porque “movimentação é algazarra”. Sou capaz de divagar horas nesse assunto… Mas sei lá, eu gosto de ter esperança nas pessoas que fazem pequenas coisas e mudam algumas vidas – tipo o dia que fui almoçar num fast food e uma moça comprou um lanche pra um rapaz que estava na rua. Se todo mundo fizesse algo por alguém, talvez a gente conseguisse salvar um pouco – não o país, a política, a economia, a saúde e afins, mas se um cuidasse do outro… ai, utopia demais né? Tristeza D:”
    Beijos Mari :*

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